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A soja é a principal cultura agrícola do Brasil e a principal fonte de renda dos produtores rurais do país. O grão tem um peso fundamental na balança econômica comercial do país e, apesar do cenário de incertezas que vivemos, as expectativas estão otimistas para a safra 2020/2021, com a possibilidade de um novo recorde de produção. 

Ela é uma planta originária da região denominada Manchúria, que fica no nordeste da China. Foi trazida para a Europa no século XVII, durante o período conhecido como o das grandes navegações, onde permaneceu por mais de 200 anos apenas como uma curiosidade botânica, nos jardins botânicos das cortes europeias. Chegou aos Estados Unidos da América por volta do ano 1890 onde era cultivada como forrageira. Na década de 1940 a soja chegou ao Paraguai e na década de 1950 ao México e Argentina.


O CENÁRIO BRASILEIRO

A primeira referência sobre soja no Brasil data de 1882, na Bahia. As cultivares introduzidas dos Estados Unidos não tiveram boa adaptação a uma latitude em torno de 12 graus, sul (Bahia). As cultivares mais específicas para consumo humano foram trazidas pelos primeiros imigrantes japoneses em 1908. Entretanto, oficialmente, a cultura foi introduzida no Brasil no Rio Grande do Sul em 1914 na chamada região pioneira de Santa Rosa, onde foram iniciados os primeiros plantios comerciais a partir de 1924.

Um importante papel no progresso da soja no Brasil deve ser creditado aos diversos programas de melhoramento genético. Como exemplo deste trabalho, no início da década de 70, a Secretaria de Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul e o Instituto de Pesquisa Agropecuária do Sul (IPEAS) lançaram as primeiras cultivares brasileiras originadas de cruzamento em material introduzido principalmente do Sul dos Estados Unidos.

O Brasil é o segundo maior exportador de soja do mundo, perdendo apenas para os EUA em uma disputa que segue acirrada, decidida por toneladas. A China é o maior comprador da produção de soja brasileira: os chineses importaram 78% da soja exportada pelo Brasil em 2019, chegando a valores de transação de U$ 19,60 bilhões, segundo o site Fazcomex. 

Há previsões que se a produção do Brasil avançar nos próximos anos, o país subirá ao primeiro lugar do pódio, principalmente pelos conflitos comerciais entre a China e EUA, que tiveram avanços, mas que poderão sofrer com retrocessos por conta da difícil relação entre as potências.

E mais: o grão está em plena evolução. Novos estudos de engenharia genética podem fazer com que o grão seja cada vez mais nutritivo. Em outra frente de pesquisas avançadas, cientistas estudam como o grão pode contribuir para combater o vírus da Aids. 

Conheça as principais razões para compreender porque o Brasil planta tanta soja.


1 Porque a soja vira proteína animal

Ninguém come diretamente a produção de 123 milhões de toneladas de soja, mas come carnes de boi, de frango e de suínos. Grande parte da produção é convertida em ração, que promove toda uma cadeia de produção que conecta agricultores, empresas compradoras de soja como tradings, agroindústrias e cooperativas (para processar em farelo, óleos, ração animal ou mesmo revender os grãos) e pecuaristas (compradores de ração). Esse elo monumental também ocorre na China. Por lá, os portos estão cercados por indústrias de esmagamento de soja e de ração para dinamizar o processamento de todo o grão que chega.


2 Porque a soja vira óleo que vai da cozinha ao combustível

O óleo de cozinha mais popular – o de soja – chega às mesas dos brasileiros a partir dessa cadeia. É um alimento que está ligado à indústria alimentícia no preparo das refeições diárias. Fora da mesa, esse óleo pode virar biodiesel, um dos biocombustíveis do futuro, menos poluidor que o diesel.


3 Porque a soja movimenta mais pesquisas

Uma importante área de pesquisa está por trás da cadeia da soja, e que está nas mãos de órgãos como a Embrapa, o IAC, o Iapar e a Epamig. Esse trabalho dá suporte à produção do grão e gera oportunidades. É a partir desse fomento que surgem variedades mais saborosas de soja e com óleos mais nutritivos. Um exemplo disso foi o lançamento da soja preta, rica em antocianina, um antioxidante natural que reduz o envelhecimento das células.


PILARES E TENDÊNCIAS EM 2021

As previsões para 2021, apesar do cenário atual, são otimistas. A safra nacional de grãos deve ter um crescimento de 3,5% em relação ao ano de 2020, segundo Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do IBGE. Já a soja deve alcançar 130,4 milhões de toneladas e, em relação à área colhida, o aumento deve ser de 7,3% em comparação ao ano anterior, correspondendo a 35% de todas as exportações do agronegócio brasileiro.

Com o mercado não tão aquecido por conta da pandemia, houve uma desaceleração da compra do produto por parte do maior comprador, a China. Isso ocorreu, pois, o país adiantou as compras anuais e só retornará as negociações de importação posteriormente. Com isso os pontos de atenção ao longo de todo ano são:

Complicações na logística da Argentina

Com as greves e paralisações que têm acontecido no nosso vizinho sul-americano, o setor de logística e transporte está comprometido, acarretando a redução da exportação da soja para compradores. A expectativa é que o país tenha uma redução na produção de 2 milhões de toneladas em relação ao previsto. Essas mudanças de cenário podem ajudar a aumentar a demanda interna brasileira, fazendo com que se venda mais.

Queda na produção de soja nos Estados Unidos

Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a estimativa da safra de soja do país foi de 113,4 milhões de toneladas para 112,5 milhões de toneladas. A China que, novamente, poderia contribuir para o aumento das vendas de soja, acabou revertendo a compra para os países latino-americanos, como o Brasil. Os EUA sofreram com uma safra menor que a esperada e os estoques devem ficar abaixo, estima-se que seja o menor estoque das últimas cinco ou seis safras.

Condições climáticas

No Brasil, a estiagem de setembro a novembro de 2020 causou atrasos no plantio. O impacto negativo nas regiões produtoras do grão pode ser previsto de acordo com um cenário parecido vivido pelos produtores em 2018/2019 onde houve uma redução da produção nacional no período.

Preço do dólar

Nos últimos 12 meses, o dólar acumula uma alta de 23,7% no Brasil. Em 2020 a volatilidade da Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fez com que os contratos futuros de soja fechassem com preços mais baixos e o Brasil não conseguisse segurar os ganhos.


Com a alta do dólar, ocorre a comercialização com os melhores preços, não apenas para a soja, mas também para algodão, café, milho. Mas o produtor também precisa lidar com elevação nos custos de produção, já que grande parte das máquinas e insumos são importados de países estrangeiros. O mesmo ocorre com o combustível que sofre com a elevação no preço da gasolina e diesel.


Sobre o óleo de soja, dados da Cogo Inteligência em Agronegócio, apontam que a maior parte da produção (90%) ficará no mercado interno, com destaque para o biodiesel, que demandará boa parte do coproduto da soja. No Brasil, entre 70% e 75% do biodiesel tem como matéria-prima o óleo de soja. Os 10% restantes de óleo de soja serão exportados.


Ampliar a produtividade e área de plantação


A indústria da soja tem cada vez mais a necessidade de ampliar as áreas de plantação para poder obter uma rentabilidade maior por hectare, como, por exemplo, em áreas com pastagens degradadas que podem ser recuperadas através das braquiárias que além de servirem de alimento para o gado, ainda recuperam os nutrientes do solo, gerando um aumento de 10% da produção de soja.
Apesar de toda a incerteza do cenário econômico e social atual, a indústria da soja no Brasil está otimista. De maneira geral, o consumo mundial de soja continuará aumentando nos próximos anos, mantendo os bons preços de mercado e impulsionando as exportações, o que favorece a balança comercial.


MERCADO INTERNACIONAL

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