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O ciclo de vida do papel, no Brasil, inicia-se com o plantio do eucalipto, que leva de seis a sete anos para atingir a idade de corte. Em menor proporção é também utilizado o pinus. Para produzir uma tonelada de papel são necessárias cerca de duas toneladas de eucalipto, que equivale a 20 árvores.

Sua principal matéria-prima é a celulose, obtida a partir de fibras celulósicas, retiradas dos troncos dessas árvores. São usados também produtos inorgânicos para imprimir ou melhorar certas propriedades do papel.

O papel é fundamental ao nosso modo de vida. Por isso, não há como negar a importância dessa atividade econômica. Porém, como qualquer outra, se não for exercida com responsabilidade sócio-ambiental, torna-se fator de degradação e destruição de ambientes naturais.

Como qualquer outra monocultura, plantios florestais podem causar desmatamento e impactos sobre a biodiversidade; erosões; poluição hídrica por agrotóxicos, óleos e graxas (de caminhões e máquinas agrícolas) e carreamento de sedimentos (devido à aragem do solo, abertura de vias etc). No entanto, como já existem muitas áreas desmatadas em todo o país e grande parte delas está abandonada ou subutilizada, não há necessidade de mais desmatamento para plantio de florestas.

PROCESSO PRODUTIVO
Quando chegam à idade adequada, as florestas são cortadas e a madeira é transportada às fábricas por caminhões, que normalmente utilizam combustíveis fósseis, que liberam gases poluentes na atmosfera. Esse impacto deve ser minimizado ao máximo através da regulagem de motores e economia de combustível. As florestas industriais absorvem gases de carbono quando estão em crescimento. Quando são cortadas, há liberação dos mesmos para a atmosfera, impacto que não há como ser evitado.

OBTENÇÃO DE CELULOSE
As toras, ao chegarem à fábrica, são descascadas, lavadas, picadas em pequenos pedaços (para facilitar a difusão dos reagentes químicos) e direcionados à etapa de formação da polpa. 

Durante o processo de polpação (que no Brasil é o Kraft), há formação de compostos voláteis de enxofre (mercaptanas) que liberam mau cheiro. Esses compostos são classificados, usualmente, como Gases Não-Condensáveis (GNC), que podem ser diluídos ou concentrados. Para reduzir o odor e também a emissão de partículas (Sox - óxido de enxofre, CO - óxido de carbono e Nox - óxido de nitrogênio) para a atmosfera, instalam-se incineradores de gases. Porém, nem todas as empresas do setor possuem sistema de coleta e queima dos gases diluídos (apenas dos concentrados). Por isso, em muitas ainda é comum perceber esse cheiro forte em seu entorno.

O processo de cozimento da madeira gera efluente conhecido como "licor negro", que tem elevadas cargas de matéria orgânica e sólidos em suspensão. Uma fábrica de celulose, que utiliza o processo kraft, produzindo 1000 t/dia pode despejar montante equivalente ao esgoto doméstico de uma cidade de 120 mil habitantes. Se este efluente não for tratado antes de ser despejado nos cursos d'água, pode causar gravíssimos impactos ambientais, pois para ser processado pela natureza, retira todo o oxigênio da água, matando qualquer forma de vida. Por isso, todo efluente gerado tem de passar por estações de tratamento e só ser lançado nos rios atendendo às especificações da Resolução 357 do Conama e legislações estaduais.

O USO DA CELULOSE
Conforme o tipo de papel a ser produzido, a celulose é submetida a tratamentos especiais, antes de ser processada na fábrica de papel. Quando se destina à escrita, por exemplo, precisa ter um padrão específico, capaz de ser absorvente e áspero o suficiente para o uso de lápis e caneta. No caso das embalagens, os principais objetivos são rigidez e resistência.

A celulose chega à fábrica de papel em placas. Depois, é então misturada à água em equipamentos chamados hidrapulper semelhantes a liquidificadores gigantes para a formação de uma massa e segue a partir daí para a fabricação do produto ao qual se destina.

Mas o uso não fica restrito apenas ao papel, também é usada na fabricação de certos tipos de plásticos, vernizes, filmes, seda artificial e diversos produtos químicos.

Por motivos diversos, principalmente culturais, o mercado dá preferência ao papel branco. Para ficar branquinho o papel sofre um clareamento químico que é um dos processos mais poluentes dessas indústrias. Uma alternativa é o Papel Ecograph, clareado a oxigênio e as folhas ficam com coloração creme.

Ao final do branqueamento, a celulose está bastante diluída em água e tem de ser seca, o que é feito por uma máquina de secagem que no processo forma uma folha contínua de celulose, que é, logo em seguida, cortada em pedaços retangulares. Esses são empilhados e amarrados com arame, constituindo os fardos de celulose.

O transporte dos fardos para as fábricas onde será produzido o papel propriamente, é feito por caminhões, gerando impactos já citados, relativos à queima de combustíveis fósseis. Como no Brasil o governo priorizou transporte rodoviário, o gasto dos mesmos é muito grande. A exportação é normalmente feita por navios, que também são movidos a combustíveis fósseis.

A TRANSFORMAÇÃO DIGITAL E OS DESAFIOS
O país atravessa um momento singular no setor de base florestal, com a demanda crescente por celulose, papéis para embalagem e do tipo tissue, e a implantação de projetos de grande porte. Para entender melhor os fundamentos por trás deste cenário, e as perspectivas futuras para o setor, compartilhamos nos próximos parágrafos alguns dados de referência e informações interessantes.

Na sua edição de março de 2021, a revista “O Papel” aborda os já conhecidos impactos da pandemia, que resultaram em uma desorganização da cadeia produtiva, aumento dos preços e um desequilíbrio entre a oferta e a demanda; apesar disso, o setor reagiu bem e conseguiu se adaptar à nova realidade em prazo muito curto.

Os produtos gerados a partir de biomassa se mostraram fundamentais nesse período, muito em função do crescimento nas vendas de varejo online, do crescimento no consumo lenço e papéis higiênicos (aumento de 1,4% em 2020, potencializado pela forte interligação com o setor hospitalar e químico) e do aumento das exportações de papel cartão. Adicionalmente, a produção de celulose subiu 6,4% em 2020 (segundo maior volume histórico de produção, de acordo com o IBÁ – Indústria Brasileira de Árvores).

Segundo o Empapel, as perspectivas para 2021, geradas a partir de estudos da FGV, apontam um crescimento de 4,6% no setor de ondulado e embalagens, no cenário moderado. Vivenciamos também o início de grandes projetos, como a Fase I do Puma II e o Projeto de Três Barras da West Rock, que deverão contribuir para o aumento das exportações brasileiras de embalagem e papel ondulado. Espera-se também a criação de novas embalagens de papel, observando um nível maior de customização e incluindo novos mercados e produtos.

Todo este movimento traz esperança para um setor considerado essencial para a economia nacional (representa 1,3% do PIB nacional e 6,9% do PIB industrial, em 2019) mas ainda existem alguns gargalos a serem superados, tais como a necessidade de investimentos em infraestrutura logística, carga tributária complexa e custos de produção elevados.

A competitividade futura das grandes empresas passa pela superação desses desafios e pelo entendimento do seu modelo futuro, que envolve:

  • Estabelecimento de um modelo de produção mais verde;
  • Pesquisa e desenvolvimento de novos materiais e soluções, como a celulose solúvel, que é uma alternativa de matéria-prima de origem fóssil possível para diversos produtos de indústrias como têxtil, farmacêutica, alimentícia, entre outras;
  • A utilização de nano e a micro celulose como alternativas para a substituição de resinas plásticas.

 

O FUTURO DA CELULOSE NO BRASIL
O cenário global tem sido positivo para o setor de celulose no Brasil. Segundo levantamento da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), as exportações do setor aumentaram. E a expectativa é que o mercado continue crescendo nos próximos anos. Projetos que visam então à ampliação de plantios, de fábricas e novas unidades são da ordem de 14 bilhões. 

EXPORTAÇÃO DE CELULOSE
As exportações de produtos florestais somaram US$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2019, com alta de 2,9% frente ao mesmo período do ano anterior. Em valores, entre janeiro e junho de 2019 as exportações de celulose cresceram então 3,1%, as de papel aumentaram 4,1%.

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